sexta-feira, 22 de julho de 2011

A coluna de hoje - Ancelmo Gois: O Globo Enviado por Ancelmo Gois - 25.4.2010 | 13h00m


Enviado por Ancelmo Gois -25.4.201013h00m
 
O esvaziamento da indústria do sexo no Rio

Também na indústria do sexo — um negócio que cresce no Brasil de 10% a 15% e movimenta uns R$ 800 milhões por ano, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (Abeme) — São Paulo é quem dá as cartas. Ou, digamos, mostra os peitos. O Rio já foi chamado lá fora de paraíso da saliência, de terra do biquíni miudinho, de cidade das mulheres seminuas nos desfiles de carnaval... Foi, inclusive, recém-eleito o melhor destino gay do mundo. Mas acaba de censurar, acredite, uma feira de produtos eróticos semelhante a uma que os paulistas realizam sem traumas há, pelo menos, 16 anos.
É que um decreto do ex-prefeito Cesar Maia, assinado em 2001, proíbe a existência de sex shops a menos de 200 metros de igrejas, creches e escolas. E no Clube Monte Líbano, na Lagoa, onde ocorreria a HotFair, nome da feira, há uma... creche.
Com a negativa da prefeitura a poucos dias da abertura do evento (iria de quinta agora, 29 de abril, a 2 de maio), a produção tentou o aluguel de outros 34 espaços. Mas veja como o carioca, ao contrário da fama, é careta: todos se recusaram, por se tratar de feira de produtos eróticos. Enquanto busca uma nova locação, a organização apela à Justiça. Em vão, por enquanto.
Este mercado da saliência esbanja pujança no Brasil. Segundo a Abeme, já há no país 50 fábricas de próteses eróticas (nenhuma fica no Rio), de cosméticos íntimos e de moda sensual. Nova Friburgo, RJ, por exemplo, exporta calcinhas miúdas para o mundo todo. Mas, aqui, quem mais consome é... de novo... São Paulo. Aliás, na Terra da Garoa, a feira ErotikaFair, prima-irmã da HotFair, ainda segundo a Abeme, movimenta R$ 250 milhões por ano. Já no Rio a coisa, digamos, está à meia-bomba.

Marceu Vieira

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